quinta-feira, 14 de outubro de 2010


Ontem, dia 13, retorno do feriadão para muitos, me dirigia à São Paulo pela Castelo Branco, para um compromisso às 9:00. lá pelas 8:00, chego no km 31, a famosa intersecção entre Jandira e Barueri, geralmente a 1ª "paradinha", de muitas. Rádio ligado em informações de trânsito, muito sono e para piorar, forte gripe, usando uma camiseta velha como lenço, sempre indo do nariz para o banco do passageiro. Na faixa da esquerda, contemplo a pista oposta, sentido interior. À minha frente, um veículo Gol, modelo novo, prata. Mais ou menos à altura de sua roda dianteira, na faixa central, um caminhão com carreta. A paradinha foi rápida, o trânsito começa à fluir, piso na embreagem, olho no retrovisor da direita e vejo a cgzinha(não sei a marca, mas no final todas as motos 125cc de todos os fabricantes são cgzinhas para mim) vindo no corredor, aquele espaço entre as faixas de rolamento que na verdade é apenas virtual, pois é apenas a separação entre elas com uma faixa pintada no asfalto. Não deu tempo de fazer a ação entre pisar na embreagem, olhar o retrovisor e engatar primeira, a moto veio rápido, e esse corredor que é um exercício de imaginação para legisladores, invisível para motoristas e real apenas para motoqueiros era apenas uma abstração à meros 4 metros de meus olhos. A ação e o ruído ao mesmo tempo, daquele anônimo mais um motoboy, cgzeiro ou o que valha, batendo na lateral da carreta, e se desequilibrando exatamente para o lado da rodagem dupla: o horror, o corpo humano, a maravilha biológica feita para pensar e se movimentar agilmente perante a força da mecânica feita para cargas pesadas, passando de uma forma chapliniana e grotesca, de uma roda a outra até sucumbir sob todo o peso agressor junto com sua companheira de rodas mecânica. O horror que durou exatamente um engatar de marcha, o fim anônimo de uma vida em um retorno de Nossa Senhora Aparecida, o pagão Dia das Criança, dia esse que aquele que teve seu fim perante meus olhos pode ter dado presentes à alguém, um filho, um irmão, sobrinho, assim como um dia os recebeu de seus pais, conhecidos, familiares. A massa de membros revoltos e elementos fugidios de seu invólucro lesado... agora sem razão de ser. O horror, a dor e o pezar daqueles que, assim como eu, presenciaram o momento final, daquele momento em que todos foram impotentes, o motoqueiro, que depois que perdeu o equilíbrio virou refém da ação da gravidade, impotente eu que assisti de tão perto, e me foi facultado o poder divino de parar o tempo, impotente o motorista do caminhão, que nem sabia o que estava acontecendo e em nenhum momento poderia antever que de seu instrumento de trabalho, que começava à se locomover com seu fardo, seria o instrumento de morte de um anônimo. Meu dia mudou. Mudou de forma que muitas coisas para a qual eu estava dando importância se tornaram desimportantes, e outras relegadas, tornaram-se fundamentais. E meus pensamentos recebem o estímulo necessário para radicalizarem em um sem-fim de razões e motivos para todos os assuntos onde podem alcançar. Eu me radicalizo junto, eu fico diferente, motivado pelo fim daquele anônimo. No começo sem clareza, depois bem mais claro em minha mente que prossegue em seu caminho tortuoso pensando no sentido, não da vida, mas o meu, piegas mesmo, o que eu sou, o que faço, qual o sentido de tudo? Fodam-se esses políticos imundos, seres ordinários que esqueceram de onde vieram e por quem os defende muitas vezes cheios de paixão, são seres ingratos que definem que simbolizam realmente que muitos somente são bons quando morrem, políticos que criam um Estado criador de pagadores de impostos, que quando retornam, se retornam, são de forma porca que não resolvem nossos problemas de saúde, educação, segurança e transporte, e criam congestionamentos sem fim. Fodam-se esses políticos que mudam a lei que deixam os motociclistas criarem suas facilidades próprias e que não passam de um jogo de probabilidades onde o único resultado é antecipar o fim da vida para alguma data antes da morte natural, políticos desonestos que o fazem apenas para que a indústria venda mais, e todos os impostos dolosos são repassados ao que normalmente é desesperado e tira desse instrumento frágil sob rodas o sustento de sua família, uma forma econômica tanto em valores financeiros quanto em salubridade, impostos geralmente desviados ou usados para pagar os mesmos políticos que estão fora de Brasília durante o expediente. Fodam-se nós mesmos, que abusamos dos serviços dessas pessoas pagando nada, mal valendo seu suor quanto mais uma vida digna à eles, e normalmente os chingamos. Fodam-se os motoboys, solidários de uma figa, loucos para pegar uma briga principalmente se deixar mulheres apavoradas em simples esbarrões sem consequências, mas se apressam em tomar o lugar insalubre deixado por um colega que se torna uma baixa do trãnsito. Fodam-se os empresários depredadores e os executivos calhordas, que escondem sua sanha por dinheiro e insegurança em imagens cosméticas polidas cheias de arrogância e prepotência e que fazem o máximo para tirar dinheiro daqueles se subodinam para poder catar as moedas que lhes são lançadas como como se fossem uma esmola por se "iluminarem" perante seus sorrisos,lustrados em cadeiras de dentistas ao invés da justa remuneração por resultados alcançados. Foda-se junto o mercado, que pensa apenas em preço baixo e não em valor agregado, fazendo empresas enxugarem seus custos, e o fazem normalmente naqueles que fazem do bem ou serviço valer à pena. Foda-se eu, com gripe forte, pressão alta e tendo que tirar a visícula biliar cheia de pedras e não tenho tempo para ir ao médico, porque tenho que sair correndo o tempo todo para arrumar equipamentos... médicos, foda-se eu que posso agora ver que muita coisa desimportate era usada como subterfúgio para não fazer o importante. Fodam-se todos nós que podemos errar e consertar o erro. Só não se foda o anônimo que mudou um pouco meu jeito de ver as coisas, porque seu erro em correr por seu corredor inexistente, o fim de seu túnel, não pode ser consertado.

0 Comentários:

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial